Uma das actividades mais difíceis de reproduzir num ambiente virtual é uma aula de laboratório (refiro-me concretamente a um laboratório de química). Na minha opinião uma aula de laboratório não pode nunca ser TOTALMENTE substituída por qualquer ambiente virtual (obviamente que com os avanços tecnológicos podemos visualizar um futuro próximo em que um aluno, por meio de realidade virtual, poderá estar num local qualquer a simular um trabalho de laboratório, mas isso ainda é ficção científica...). Neste tipo de trabalho é necessária a experiência que apenas se obtém manipulando os reagentes e o material respectivo. Apesar disto, considero que o apoio de simuladores pode ajudar enormemente na tarefa da aprendizagem em laboratório. Se, nos dias de hoje, não passa pela cabeça de ninguém que um piloto de aviação possa pilotar um avião comercial tendo apenas como experiência o voo em simuladores também é igualmente impensável que um piloto de um avião comercial nunca tenha utilizado um simulador na sua aprendizagem.
Este tipo de recurso permite justamente que os alunos possam fazer experiências sem os riscos referidos, verificando o que pode correr bem e o que pode correr mal, contribuindo assim para uma melhor aprendizagem. Por outro lado, pode necessitar de algum esforço de aprendizagem tanto por parte dos docentes como por parte dos alunos, pois o software não é de utilização imediata e requer algum estudo prévio.
Analisando diversos casos de reestruturação de disciplinas ou cursos estudados no âmbito do curso de e-learning da Universidade Aberta, parece-me que uma das palavras chave é o aumento da eficiência. A eficiência pode ser definida por:
aquilo que se obtém / o que se fornece
Pelo que se eu aumentar o meu resultado (ex: maior sucesso escolar) fornecendo menos (ex: menos horas docentes ou menos docentes) aumento a eficiência do ensino o que é obviamente vantajoso. A minha principal reserva é que a preocupação em reduzir os custos leve a actuar mais no denominador daquela expressão e menos no numerador tentando camuflar o resultado apenas com a diminuição dos custos. Normalmente a diminuição dos custos está associada a diminuição do número de horas de aulas bem como a diminuição do número de docentes necessários para uma dada disciplina funcionar. Esta última questão é particularmente sensível (em especial nos dias que correm…) e, a meu ver, um caminho muito perigoso e traiçoeiro de seguir. Embora não me oponha ao princípio de melhoria de eficiência que leve a que menos docentes façam o mesmo que mais, acho que pode haver outras motivações por trás da generalização destes processos que terminem com uma diminuição real da qualidade do ensino camuflada por princípios de boa gestão.
O outro ponto a considerar é a diminuição do número de horas de contacto. Não estou convencido que a adopção de tecnologias ou de recursos como os que temos vindo a estudar neste curso possa levar a uma diminuição substancial das horas tradicionais de contacto. Na minha opinião, todos esses recursos online têm um papel fundamental para auxiliar os docentes e os alunos no processo recíproco de ensino/aprendizagem. A sua utilização permite assim optimizar as horas de aulas de modo que o tempo passado na sala de aula seja muito mais bem aproveitado do que o que acontece no ensino tradicional. Esses recursos podem ser utilizados com sucesso para preparar os alunos para a matéria a ser dada, identificar as áreas de maior dificuldade de modo que quando o docente entra na sala de aulas tem uma noção muito mais certeira do modo como os alunos estão a reagir à matéria em questão identificando desde logo os pontos fracos e fortes tanto d matéria como dos alunos. Pode também libertar tempo na avaliação que é parcialmente feita online.
O outro lado da questão é o maior investimento de tempo necessário para o docente se familiarizar com esses novos recursos/tecnologias. Claro que quanto mais generalizada for a sua utilização maior vai ser a vontade de todos os utilizarem (ninguém quer ser o único professor na faculdade que não utiliza o recurso X). Eu faço parte duma escola que tem um dos corpos docentes mais qualificados das universidades portuguesas (leia-se, maior percentagem de doutorados). A outra maneira de dizer isto é que temos um dos corpos docentes mais envelhecidos! Situações como esta, decorrentes de decisões políticas e económicas bem conhecidas e que não cabem aqui analisar, podem levar à dificuldade em adoptar muitos destes recursos online. No entanto, podem também servir para aliviar a pressão que se sente em termos de horas de ensino e limitação do número de docentes, em particular desde a implementação do processo e Bolonha.
De facto considero ser esta uma ocasião única para começar a introduzir estes recursos online na minha escola pois coincide com esta reforma que se pretende que seja mais do que uma simples alteração curricular. Aquilo que supostamente se pretende com o processo de Bolonha (que, confesso, tenho alguma dificuldade em identificar com clareza) enquadra-se muito bem como todos estes recursos que temos vindo a encontrar neste curso bem como com os objectivos de muitos dos casos de estudo já identificados.
Os Open educational resources (OER) são recursos e materiais educacionais disponíveis gratuitamente na internet, “democratizando” na realidade o acesso a todo um conjunto de ferramentas de ensino e aprendizagem via Web de modo que qualquer pessoa em qualquer lado tenha acesso a eles, bastando ter uma ligação à internet e um computador. Abre ainda a hipótese de o utilizador, mediante certas condições, poder alterar e melhorar o recurso.
De facto, quando a internet despontou surgiu a possibilidade de qualquer pessoa ter acesso a uma enorme variedade de informação e de recursos de forma gratuita ou paga. Lembro-me de ler que um dia todos os recursos na internet teriam de ser pagos pois logicamente que alguém teria de os produzir e alojar, o que tem um custo. Mas parece que não tem sido esse o sentido do desenvolvimento da internet com o aparecimento de numerosas iniciativas de divulgação de recursos e informação (como software como o Open Office e sites do tipo Wikipedia) de um modo gratuito para o utilizador. Naturalmente que ALGUEM está a pagar essas iniciativas, mas não é o utilizador final. Infelizmente, a facilidade de disponibilização de informação tem um lado mais negro que é a disseminação gratuita e ilegal de material protegido, sendo hoje relativamente fácil aceder a livros, filmes, discos etc., disponibilizados sem o consentimento dos seus autores. Basicamente, todo o que poder ser digitalizado pode ser disponibilizado na internet. Uma ferramenta open source muito utilizada hoje em dia são os sites de alojamento e partilha de ficheiros, que pode ser utilizada com facilidade tanto em transferências legais como ilegais. Deve-se proibir esses sites apenas porque certas pessoas os utilizam para fins ilegais? A generalidade das opiniões é que não e têm de se utilizar outras formas de combate a estas situações.
Em relação ao ensino e à ciência a questão do open source (open access) tem sido muito debatida no sentido de que muitos acham que a disseminação da ciência deve ser gratuita para alcançar o máximo número de pessoas e se poderem maximizar os benefícios sociais daí decorrentes. Um exemplo flagrante é o dos artigos científicos em que muitas revistas oferecem a possibilidade de o artigo ser disponibilizado gratuitamente desde que os autores paguem esse custo, pois as editoras não são entidades de solidariedade social e não podem perder dinheiro com isso. Isso é compreensível pois eu, como docente universitário, também tenho de me alimentar e à minha família pelo que tenho de receber um ordenado ao fim do mês que alguém tem de pagar (sejam os alunos apenas na forma de propinas, sejam todos os contribuintes na forma dos impostos que pagam ao estado ou sejam outras entidades publicas ou privadas que, por alguma razão, invistam na universidade).
O aparecimento destes OER vem abrir novas possibilidades no campo do ensino a distância, em particular num clima de recessão em que muitas universidades vivem com dificuldades financeiras para sobreviverem, não tendo margem para grandes investimentos em soluções tecnológicas mais avançadas. A sua utilização pode também modificar o modo como o ensino e a aprendizagem são feitos aumentando a sua eficiência o que pode trazer bastantes benefícios sociais e económicos. A utilização de qualquer um destes recursos vai requerer sempre uma adaptação dos agentes do processo educativo, sejam eles docentes ou sejam alunos. A adaptação destes últimos poderá ser mais fácil pois são geralmente mais novos e com maior apetência para lidar com novas tecnologias ou técnicas de aprendizagem. Da parte dos docentes poderá demorar mais tempo pois a introdução de novos métodos de ensino/aprendizagem (que muitos poderiam qualificar de revolucionários, se bem que eu considere mais evolucionários) requer um esforço global, nomeadamente em termos de tempo que poderá ser bastante elevado. O conservadorismo tecnológico de muitos pode também ser um óbice à introdução de muitos destes novos meios.
Eis algumas fotos do meu gato Tunsos. Embora ele esteja registado como Hobbes ninguem o trata por esse nome, tratamo-lo sempre por gato, gatinho, gatunsos ou, simplesmente, Tunsos! Este gatinho é peculiar pois é diabético desde há cerca de 1 ano e meio e tem de levar duas injecções de insulina por dia. O que para ele não é problema pois acham que estão a brincar com ele (para os gatos tudo é brincadeira!), mas são necessárias duas pessoas, uma para o distrair (a fazer festinhas na cabeça) e outra (eu) para lhe dar a injecção no lombo (que ele nem sente).
- Hmm, que bom sitio para descansar!
- Quem me acordou?
- Uahhhhhh..... (que soneira!)
- Que boa vida, de papo para o ar!
- Também tenho direito a um lugar à mesa! Mas, onde está o meu prato?
- Será que esta água está boa?
- Acho que estou gordo, tenho de fazer dieta...
Nas fotos em baixo pode-se ver uma das minhas últimas construções: um F-101B Voodoo da USAF (anos 60). O kit (que é de alta qualidade) é da Revell à escala 1/72. Escolhi as melhores fotos que tirei, ou seja, aquelas onde os muitos defeitos do modelo são menos visiveis!
- Vista geral do kit e da caixa
- Vista geral
- Vista traseira
- Detalhe do cockpit
Este foi o último livro que li. É um excelente livro onde se relata a história do piloto americano de helicópteros (Michael Durant que pilotava UH-60 Blackhawk na altura) abatido na Somália em 1993, capturado e libertado dias depois.
Sobre este incidente foi também feito, na minha opinião, um dos melhores filmes de guerra moderna, "Black Hawk Down", também baseado num livro onde é contada a história mais geral de toda a operação que deu origem à captura do referido piloto.
. As virtudes de um Laborat...
. A “eficiência” no ensino ...
. Recursos Educacionais Abe...
-Blog de João de Abreu e Silva